Prefeitura Municipal de Erechim - ERECHIM 99 ANOS: Homenagem da Câmara para Erechim e o tradicionalista Zulmir Sotoriva

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28/04/2017

ERECHIM 99 ANOS: Homenagem da Câmara para Erechim e o tradicionalista Zulmir Sotoriva

A Câmara Municipal realizou Sessão Solene de homenagem ao Município de Erechim que completa 99 anos de emancipação no próximo domingo (30). O governo municipal foi representado pelo prefeito Luiz Francisco Schmidt, vice-prefeito Marcos Lando e todos os secretários municipais. Criado no dia 30 de abril de 1918, na gestão do dr. Antonio Augusto Borges de Medeiros na Presidência do Estado do Rio Grande do Sul, o território com prendia uma extensa área de terra devoluta, que um século depois está dividida em 32 municípios. A condição de município chegou uma década depois da criação da Colônia Erechim, delimitada em 1908. A programação desenvolvida pela Câmara Municipal, a partir das 19 h, de quarta-feira (26), envolveu a presença de dezenas de convidados, especialmente as representações das etnias mais numerosas na formação da população atual. Estiveram na solenidade, os italianos, israelitas, alemães, poloneses e nativos. O presidente Alessandro Dal Zotto aproveitou a data consagrada ao município, para prestar uma justa homenagem ao tradicionalista Zulmir Sotoriva, falecido precocemente, destacado líder do Movimento Tradicionalista Gaúcho na Região Alto Uruguai. O homenageado foi representado pelo filho Marcelo, que recebeu a Medalha do Mérito Legislativo.

 

Discurso do presidente Alessandro Dall Zotto: -

 

Boa noite senhores e senhoras vereadores, tradicionalistas e comunidade presente nesta gloriosa noite que antecede um ano antes de nosso município comemorar os seus 100 anos de emancipação política administrativa. Hoje é um momento ímpar para lembrarmos a trajetória de nossos antepassados e prestarmos homenagem a um homem que dedicou parte de sua vida as causas tradicionalistas, oportunidade em que sua família receberá a Medalha Mérito Legislativo pelo seu exemplo de vida e importância que teve e sempre terá em nosso município. Uma noite que também servirá para agradecer cada homem e mulher que por aqui chegou, desbravou, trabalhou, criou família que fez com que alcançássemos a posição que hoje estamos no Estado do Rio Grande do Sul e Brasil. Uma cidade modelo para muitos, a cidade exemplar para nós. Mas para que chegássemos aos dias de hoje foram muitas as mãos e mentes que trabalharam para que Erechim saísse de um sonho e se tornasse realidade.

 

A dedicação e o esforço sempre foram marcas registradas de nossos imigrantes e, posteriormente, seus descendentes. Somos um povo guerreiro, sonhador e, principalmente, idealizador. Somos a marca forte da região do Alto Uruguai. Um povo que sabe o que quer e aonde quer chegar. Resgatando o trabalho de nossos historiadores através do livro “Erechim, retratos do passado, memória do presente”, realizemos, agora, uma viagem ao passado..... .....

 

A criação da Colônia Erechim foi sugerida por Torres Gonçalves, então Diretor de Terras e Colonização ao governador do Estado da época, Carlos Barbosa Gonçalves, proposta esta efetivada no dia 06 de outubro de 1908. Assim, uma Comissão de Terras e Colonização da Colônia de Erechim foi incumbida de dirigir a instalação, proceder ao loteamento e a demarcação das terras, abrir as estradas e ruas nos povoados, enfim, dar apoio financeiro e a orientação técnica aos colonos, distribuir sementes, ferramentas e implementos agrícolas. O chefe era o agrimensor Severiano de Almeida. O ato insere-se na política de imigração e colonização que no período o Governo do Estado implementava, principalmente para resolver múltiplos problemas que enfrentava, como a crise pecuária, do abastecimento, do excedente populacional das terras velhas e outros que se apresentavam. A República Brasileira ainda não havia completado 19 anos quando se desenrolou esse fato voltado para contornar problemas que fugiam do controle da administração. A mudança do regime ainda não havia sido o suficiente para transformar as estruturas sociais e econômicas do Brasil. Era a presença do positivismo no comando do Estado. O lema, a ordem por base, o progresso por fim, de cunho positivista, norteava as ações do grupo do Partido Republicano Riograndense que, através de Júlio de Castilhos e do seu sucessor Antônio Borges de Medeiros e também de Carlos Barbosa Gonçalves, colocaram em prática um projeto novo, como base econômica alternativa ao predomínio absoluto da pecuária. Um projeto de industrialização e de colonização poli cultural e familiar foi posto em prática com a finalidade de ocupar as áreas vazias do território gaúcho. O povoamento oficial fez-se à medida que chegavam as levas de imigrantes aos povoados Erechim (sede provisória da Colônia e atual Getúlio Vargas), Paiol Grande (destinada a sede geral, hoje Erechim) e Barro (hoje Gaurama) onde eram alojadas em barracões por pouco tempo. Os imigrantes europeus que chegaram à Colônia Erechim, no início da década de 20, não estavam abandonados no processo de iniciação e de fixação da terra. Muitos não vieram diretamente da Europa, mas sim de outras regiões. Estiveram antes em diversos lugares do Estado e do País. Encontraram uma infraestrutura em fase de execução, um órgão oficial de colonização em seu benefício, uma ferrovia, além da hospitalidade e do espírito de ajuda de compatriotas aclimatados e experientes que falavam os mesmos idiomas. Ao chegarem, os colonos europeus e os imigrantes das colônias velhas encontraram antigos moradores com suas capoeiras, roças com plantações de mandioca, milho e feijão, extraindo e cancheando erva mate. As famílias não só construíam suas próprias casas, mas também fabricavam seus móveis e peças de vestuários. Erechim, hoje Getúlio Vargas havia iniciado a área de demarcação em 1908, ano de sua fundação. Em junho de 1909 começaram as medições dos lotes e a preparação para a sede. Em junho do mesmo ano foi escolhido o local para a sede da Colônia, sendo reservada uma área de 50 hectares, atravessada pelo Rio Abaúna e outros menores, seus afluentes. No dia primeiro de fevereiro de 1910 é instalado o Núcleo com 36 colonos e durante aquele ano 226 colonos foram assentados, estes vindos da Rússia, Alemanha, França, Áustria e de outras nacionalidades. No mesmo ano é iniciada a abertura de ruas, a demarcação de lotes urbanos e a construção dos prédios. Dados do então secretário, Cândido Godoy, de 1911, relatava que a Colônia possuía uma população de 10 mil habitantes. Na sede estavam instaladas mais de 100 famílias. A colonização teve um grande impulso com a participação da Empresa Colonizadora Luce, Rosa & Cia Ltda. Mais de 1100 famílias de origem italiana e alemã são instaladas pela empresa em sua área de colonização. A Luce e Rosa cuidava ainda da instrução, religião e comunicação telefônica. Em junho do ano de 1913, conforme o relatório da Comissão de Terras e Colonização, o número de habitantes da Colônia era de 18 mil pessoas, das quais 10 mil eram de imigrantes provenientes do exterior, enquanto que os oito mil restantes eram brasileiros já estabelecidos antes da fundação da Colônia. Parte destes estabeleceram-se na sede ou em outros núcleos urbanos como comerciários, artesãos, empregados, prestadores de serviços ou funcionários. Com a transferência da chefia da Comissão de Terras para Paiol Grande o povoado Erechim, hoje Getúlio Vargas, perdeu importância, porém, na condição de sede distrital, liderou o movimento pela emancipação municipal Em 11 de dezembro de 1917, o Conselho Municipal de Passo Fundo aprova a emancipação do Oitavo Distrito e, em 30 de abril de 1918 o presidente do Estado, Borges de Medeiros sanciona o Decreto de Número 2.342, criando oficialmente o município de Erechim. A mistura de diferentes grupos étnicos era a intenção da política governista. A produção agrícola, aliada à exploração da madeira e outras riquezas naturais, como a erva-mate, impulsionaram a ocupação do território até as margens do Rio Uruguai, inclusive com projetos de empresas particulares. O comércio e a indústria acompanhavam o desenvolvimento. A criação da Colônia possibilitou dinamizar o mercado interno do Estado carente de produtos alimentícios, formou a pequena propriedade rural policultora, desbravou a selva, aldeando o elemento indígena. Legalizou as glebas. Gerou a agricultura, primeiro de subsistência, depois de exportação. Dinamizou o comércio, a indústria e, mais tarde, o setor de prestação de serviços. A Colônia Erechim foi a mais nova e a que mais progrediu devido a forma organizada como foi conduzida desde o início, à fertilidade das terras, ao potencial madeireiro e ervateiro, à ferrovia que garantia o transporte da produção agrícola e, principalmente, à disposição para o trabalho dos imigrantes de várias etnias que a colonizaram. 1918: A conquista da emancipação Erechim levado à categoria de município, tendo apenas dez anos de existência e antecipando-se a sua emancipação a outras colônias muito mais antigas. Um único exemplo de um desenvolvimento tão rápido graças à fertilidade do solo e da via férrea São Paulo/Rio Grande. Ao longo de sua existência foi se desenvolvendo e, aos poucos, sendo montado um sistema de infraestrutura urbana que se reflete no perfeito funcionamento da cidade. É considerado, hoje, um dos principais polos de desenvolvimento industrial do Norte do Estado, com predominância da indústria metal mecânica e de balas e doces, além de plásticos, carrocerias de ônibus, equipamentos para informática, equipamentos cirúrgicos, hospitalares e para escritório, vestuário, como calçados, móveis e equipamentos. São indústrias de micro, pequeno, médio e grande porte que atuam nos mais diversos setores como a metal mecânica, alimentação, agroindústria, eletromecânica, cerâmica, moveleira, confecções, calçados e outros, fornecendo ao mercado global produtos de alta tecnologia e dentro dos padrões de qualidade internacionais. O setor da Prestação de Serviços cresceu bastante nos últimos anos, ocupando o segundo lugar na participação econômica. Destaca-se por ser um dos que mais emprega mão de obra. Os números demonstram a tendência de crescimento cada vez maior deste setor, considerado a atividade com melhores perspectivas quanto à capacidade de geração de empregos em nível global. O SESI, SESC, o SEBRAE, o Senac, o Instituto Federal, a UFFS, a FAE, as escolas de Ensino Técnico Profissionalizante e a URI qualificam e modernizam a mão de obra dos trabalhadores erechinenses e contribuem, desta forma, para o crescimento do setor de serviços, atraindo indústrias que necessitam de mão de obra especializada de diversos estados brasileiros. Erechim também se destaca na educação, não somente pelo número de estabelecimentos, mas principalmente pela qualidade do ensino. Conta com uma rede de ensino pública e privada que atende desde a educação infantil até a universidade, inclusive com cursos de especialização e Mestrado. A participação da atividade comercial na economia de Erechim, quando comparada com a contribuição das demais atividades, é muito significativa e tem evoluído tanto no aspecto quantitativo como qualitativo. O setor tem crescido também na variedade e diversificação, o que o torna um centro comercial para a região do Alto Uruguai. Chegamos, assim, aos 99 anos, mesmo enfrentando uma crise econômica que assola todo o nosso País, com retidão, enfrentando as dificuldades, ultrapassando barreiras impostas pela economia, de cabeça erguida, com garra e disposição de que podemos enfrentar todas as dificuldades e colocar nosso pé no futuro. Juntos seremos mais fortes, criativos e confiantes de que sim, há um amanhã logo ali para que possamos caminhar com passos firmes e sabendo que estamos fazendo o melhor possível para esta cidade que tanto amamos. Nosso homenageado desta noite Saindo um pouco de nossa história, nos voltamos às homenagens desta noite, momento em que a cada ano lembramos figuras que deram a sua contribuição para Erechim e região do Alto Uruguai. Desta forma, nada mais justo do que prestarmos uma homenagem a um cidadão que dedicou grande parte de sua vida ao tradicionalismo, que fez e deixou a sua marca para as novas gerações, perpetuando a cultura gaúcha e preservando a história do povo, este homem é Zulmir Sotoriva. Sua história e seu legado: Zulmir José Sotoriva nasceu no dia 06 de outubro de 1960 na cidade de Itatiba do Sul. No ano de 1962 sai de Erechim juntamente com seus pais para morar na cidade de Ampére do Paraná e no ano de 1976, aos 16 anos de idade, retorna e dá andamento nos seus estudos para cursar o curso de Técnico em Contabilidade no Colégio Marista Nossa Senhora Medianeira. Casa-se em 1983 com Cleusa Cecília Visioli Sotoriva e tiveram no ano de 1990 o filho Marcelo, momento em que começa a se dedicar as causas tradicionalistas entrando no quadro social do CTG Galpão Campeiro, passando por todos os cargos de diversas patronagens.  Em 1994 foi eleito patrão da entidade, época da construção da nova sede social, sendo reeleito no ano de 1995. Em 1996 assumia, pela primeira vez, o comando da 19ª Região do Movimento Tradicionalista Gaúcho, como Coordenador Regional atendendo a um abaixo-assinado dos patrões da região. Foi reeleito por unanimidade no ano de 1997. Como Coordenador Regional sempre teve a preocupação de manter a região bem representada em âmbito regional e estadual, participando em todos os eventos. No ano de 1998 foi convidado para integrar a Diretoria do Movimento Tradicionalista Gaúcho, assumindo como membro da Junta Fiscal, no ano da construção da sede própria do MTG na capital do Estado, permanecendo na diretoria até o ano de 2003, quando Erechim foi sede do 48º Congresso Tradicionalista. Em 2006, a pedido de um grande número de tradicionalistas, aceita o desafio de novamente coordenar a 19ª Região, reorganizando-a com seu espírito empreendedor juntamente com uma equipe de tradicionalistas compondo a sua diretoria. Reeleito em 2007, procurou sediar em Erechim eventos estaduais de mobilização e incentivo às entidades tradicionalistas como a Inter Regional do ENART. Eleito para o terceiro e quarto mandatos em 2008 e 2009. Após um intervalo onde esteve como Conselheiro do MTG, retorna a coordenar a região nos anos de 2011 a 2013., Desde a realização da primeira edição do Acampamento Farroupilha em 2009, Zulmir sempre esteve na presidência da Comissão Executiva, levando seu entusiasmo para toda a Comissão e acampados. Foi um dos idealizadores deste grande evento que levará a sua marca para a entidade. Ocupava o cargo de membro da Junta Fiscal do MTG em Porto Alegre. Foi um dos idealizadores, fundador e ocupava o cargo de presidente do Instituto Cultural Bota Amarela de Erechim, entidade criada no dia 13 de junho de 2014, que tem como proposta fomentar o apoio e a preservação da cultura gaúcha e o objetivo de construir o Centro de Eventos da Cultura Gaúcha em Erechim, um parque para a difusão da cultura gaúcha e a realização de eventos, entre eles o Acampamento Farroupilha. O projeto deste grande empreendimento foi apresentado na abertura oficial do Acampamento Farroupilha de 2014, no dia 13 de setembro junto ao Seminário Nossa Senhora de Fátima. Em plena semana dos festejos farroupilhas, em 2014, após realizar todas as funções, Sotoriva sofreu um mau súbito, vindo a falecer no dia 17 de setembro de 2014, deixando para trás o sonho do Parque de Eventos Tradicionalistas Bota Amarela, hoje denominado Parque Municipal de Eventos Zulmir José Sotoriva, aprovado pela Câmara Municipal de Vereadores por uma iniciativa da vereadora Eni Scandolara. Zulmir era o elo entre a comunidade de Erechim e a tradicionalista local e da região do Alto Uruguai. Um homem que selou sua marca, que batalhou para difundir, especialmente junto às crianças, a importância de se preservar a cultura gaúcha, do amor as tradições e da dedicação plena à Bandeira do Rio Grande do Sul. Um amor incontestável por este Estado e incondicional à tradição. Um exemplo a ser seguido por esta e muitas gerações que estão por vir. Cleusa, só temos que dizer a sua família e ao patrão do céu, muito obrigado por terem colocado Zulmir entre nós e, para quem teve a grande oportunidade de estar ao seu lado nos mais diferentes eventos tradicionalistas, a felicidade de ter um grande amigo, parceiro firme, peão amigo, patrão firme e certo de seus propósitos. Assim, senhoras e senhores, caminhamos a partir de hoje, para os 100 anos do município de Erechim, data que estaremos, todos juntos, comemorando em abril de 2018 com grande festa, com a participação de toda a nossa comunidade. Uma data que será, com toda a certeza, inesquecível para todos. Uma boa semana a todos e que Deus nos acompanhe.